Dois mil e nove
Alegrias e momentos felizes.
Família e os amigos.
Muito trabalho e doutoramento finalmente iniciado.
Demasiado cansaço.
Amores desencontrados e desilusões.
Crescimento e maturidade.
Esperança.
Promessas para dois mil e dez.
Agora que aprendi a voar vou conhecer novos destinos!
Alegrias e momentos felizes.
A casa amarela tirou-me a pele por conta de umas mobilecas novas (que tive de aparafusar tábua por tábua! Céus quem inventou o IKEA?! Tenho calos, dores nos músculos, nas articulações e em sítios que desconhecia! ) e do que isso implicou fazer às velhas. Uma maratona de 3 dias que terminou com quase tudo no lugar e um suplicar de férias deste corpito que já estava bem cansado (para me vingar dormi uma sesta daquelas! Infantil mesmo!).
Meu Deus (Deus meu)
«Estás no meu coração»
Amigos na casa amarela num fim-de-semana XXL. Risos e afectos acompanhados de tarte de chocolate e de um tinto alentejano.
Um novo J. entra na minha. Desta feita para me arrancar o escalpe 'académico'.
Nos teus braços o meu pensamento vagueia. Autónomo. Sem vontade de se silenciar. Não se importando com quem és. Um par de ouvidos. Uma fonte de prazer. Um grande mal entendido. Um record de oportunidades desperdiçadas. Nos teus braços o meu pensamento vagueia por futuros. Outros. Dos quais não fazes parte. Embalas-me os sonhos enquanto distrais o meu corpo. Alimentas a certeza de que o meu lugar não é aqui e deixas-me partilhar a vida que eu desejaria viver. Ali.
«You see... I'm just a girl, standing in front of a boy, asking him to love her.»
Na sequência de uma semana infernal a paragem 'quase' compulsiva. É preciso abrandar. Tanto é demasiado e a resistência ameaça quebrar(me).
- Mesmo que decida fazer alguma coisa com ele, não pode viver na memória do que aconteceu no passado. Este é outro momento e vocês não são mais as mesmas pessoas.
«Quem começa um caminho pelo fim
Tanto haveria para contar. Mas o tempo passou a ter os minutos contados. De agenda na mão atravesso os dias em voo picado para no fim descansar umas horas, tomar um banho e recomeçar tudo de novo. Os mails passaram a ter duas categorias: de trabalho e... de trabalho! Tudo o mais não se lê (um dia regresso!). O resto resume-se a trabalhar e a deixar para fazer depois everything else.
A Nina chegou!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Já não moro sózinha. Agora tu estás lá quando meto a chave à porta. «Faz qualquer coisa para o jantar». Novas rotinas. Espaço partilhado.
Conversamos. Muito. O telefone é um grande aliado. Falamos de tudo e de nada. E num condenado acto de clarividência imagino-nos um pouco adiante. Já a seguir. E pergunto o que me dirás quando não te (me) restar nenhuma outra solução a não ser desapareceres tão magicamente quanto chegaste.
Para comemorar a entrada nos «entas» de P. a casa amarela encheu-se inesperadamente de amigos, num encontro informal, 'adubado' por boa comida (também ela improvisada) e 'ragado' por um tinto alentejano e um champanhe óptimo.
«Eu não choro de tristeza. Choro pela emoção de viver. A mim a tristeza faz-me crescer e ter vontade de viver.»
- Quebrar os padrões. Tem de quebrar os padrões!
Chamas-me. Com urgência. Num desejo que se manifesta (in)oportunamente. Agora! Vem já! Não posso esperar mais... E como sempre os corpos fundem-se num prazer garantido. Também ele urgente e tão frequentemente fustigado por prolongadas ausências. Inibidoras... Abençoadas...
Após mais de duas décadas, o reencontro com um velho amigo, à beira-mar para matar essas saudades de quem já não se (re)conhece. Um (re)começo a partir de uma folha praticamente em branco, preenchida por memórias que não são comuns. Apenas familares. De tanto as ouvirmos ao longo dos anos. E por entre (todas) as novidades um estado de alerta instalou-se. 'Cuidado com aquilo que desejas...'


Ás vezes acontece ao fixar o olhar no lugar vazio à mesa e no prato que falta. Outras quando sobra tanto espaço na cama que ainda são precisos cobertores em pleno Verão. Também acontece nas filas de check-in dos aeroportos nos olhares possessivos das mulheres que num misto de inveja com desdém questionam qual o objectivo da viagem solitária. E que sobrecarga de vigilância acabamos de atirar para as suas vidas. Ou em festas de amigos quando somos o número impar à mesa e inevitavelmente o tema de conversa descai para as fraldas, os biberons e a última proeza dos pequenos. Claro que há momentos piores. Os fatídicos 'então e já arranjas-te namorado?' ou quando se vai ao fundo do poço porque perante a incompetência de não termos arranjado ainda (mais) um marido não tivemos a coragem de cumprir a função da maternidade (sozinhas ou com algum tudo de ensaio numa clínica espanhola). Já tanto faz.
